sábado, 28 de março de 2009

Studio Ghibli: Tonari no Totorô

Até finais dos anos 90, o animê era taxado como sinônimo de violência pela maioria dos críticos da mídia, se não bastasse, alguns apontavam (ou ainda apontam) a animação japonesa e jogos de video game como a causa da violência juvenil em nosso país.

Não vou negar que alguns animês exagerem na violência, e realmente eu não recomendaria para criancinhas certos conteúdos.

Mas o que me incomoda é a tamanha ignorância e falta de informação de certos jornalistas, que por serem profissionais (não um zé ninguém feito eu que escreve este modesto blog) andaram escrevendo asneiras sobre a animação japonesa, sem fazer pesquisas mais detalhadas sobre o assunto e generalizarem em cima de 5 ou 6 seriados como Dragon Ball, Yu Yu Hakusho ou Naruto.

Essa introdução xarope foi só para comentar sobre um longa animado dirigido e produzido pelo diretor Hayao Miyazaki:

Tonari no Totoro, ou Meu vizinho Totorô em português.

O filme é de 1988 e muita gente, principalmente os jornalistas que citei ainda não conhecem este sucesso de público, campeão de bilheteria na época (lá no Japão), cult entre os aficionados - o realmente "recomendado para toda a família".

O personagem do título ainda é a logomarca do Studio Ghibli, que o ocidente em geral só conheceu após "A viagem de Chihiro" vencer o Oscar em 2003 e aí sim, toda a crítica começar com uma babação em cima do desenho e elogiar Miyazaki que realiza animações há tempos.


Tonari no Totoro possui conteúdo Zero de Violência, enredo simples mas muito bonito, um tapa na cara de qualquer desinformado que mete pau na animação japonesa. Não falo como fã de animê, falo como apreciador de Cinema em geral.

A história gira em torno de duas irmãs (Satsuki de 12 e Mei de 5 anos) que se mudam junto com o pai para uma área rural nas proximidades de um hospital onde a mãe está internada. Elas acabam conhecendo e fazendo amizade com 2 animaizinhos estranhos e mais um grandão, o Totoro que são criaturas que vivem e protegem o local.

Totoro na realidade é um personagem secundário na trama, e tem o seu papel mais importante no final do filme. O longa chama mais atenção mesmo é a relação de amizade entre as irmãs, a boa educação, cenas do cotidiano, o drama bem construído pelo sensível de Miyazaki que prova entender os sentimentos das crianças, sem se esquecer dos adultos. A mensagem ecológica e a mistura entre o fantástico e o realismo são outra marca registrada do diretor. A trilha sonora assinada por Joe Hisaishi também merece ser apreciada.

No Brasil, Meu Vizinho Totoro foi lançado pela Flashstar em VHS, nos tempos em que Yu Yu Hakushô ainda fazia sucesso e não chamou a atenção de ninguém, a Flashstar também trouxe Porco Rosso, outro filme de Hayao Miyazaki. A única coisa que li na época foi uma matéria na Revista Anime>Do escrito por Ikki Nadas.

Assisti a este clássico pela primeira vez em 1998, VHS gravado da NTV, minha tia que vive no Japão havia me mandado pelo correio. Até à época eu não tinha visto nada parecido.

A abertura infantil esconde os detalhadíssimos cenários e construção de cenas dos Estúdios Ghibli:

Se você nunca viu e se interessou, dá pra baixar pelos torrents por aí, eu recomendo este link lá do blog Go Panda!, que traz a versão do Funsub Baka-br, que aliás está ótima. A versão dublada em português também está disponível.

Ano passado Gake no Ue no Ponyo, último trabalho (até o momento) de Miyazaki fez outros recordes no cinema japonês. Rola pela Internet que a Playarte vai lançá-lo ainda este ano no Brasil, vamos ver.